Porque enfim ele venceu a si mesmo.

 

Future de Neckarau, dia 07/05/2001. Nesse torneio, um menino tímido, de jogo estranho e certas dificuldades com o inglês começa a sua carreira profissional. Elimina o então 200 do mundo, Oliver Mutis, mas perde para o 406, Oliver Malcor. Saiu de lá com 300 dólares, um ponto no ranking e a promessa de que talvez um dia emplacasse. A partir daí começou aquela já conhecida caminhada de tenista(Destacando uma final de Future contra um tal de Rafael Nadal, na época o 238 do mundo). Em 2004, ele entra pela primeira vez na chave de um torneio nível ATP, no Australian Open. Venceu Richard Gasquet na primeira rodada e logo depois perdeu de forma humilhante para David Nalbandian. Mas para o bem ou para o mal, 2004 foi o ano que mudou sua vida.

Florian com 10 anos de idade.(Mayer com 10 anos de idade).

Depois de 2004, ele começou a fazer campanhas regulares em alguns torneios, como no Masters de Hamburgo(oitavas) e semis em Estoril(Perdendo pra Juan Ignacio Chela, que nunca mais o venceu). E então chegou Wimbledon, que seria apenas mais uma luta pra conseguir alguns pontos e, quem sabe, passar da primeira rodada. Aí que as coisas mudaram de figura. Depois de eliminar Wayne Arthurs, Guillermo Coria, Wayne Ferreira, Joachin Johansson e parar em Sebastien Grosjean, já nas quartas, Florian Mayer se tornou o novo fenômeno do tênis alemão.
E começou a pressão em cima do menino tímido de 20 anos, no sonho que ele se tornasse o novo Boris Becker. Logo os alemães viram que não era bem assim. Os resultados não estavam aparecendo e ele não repetia a façanha em nenhum GS e nem título ganhava. Em 2008, depois de sofrer muita pressão e de 3 finais perdidas(Sopot 2005 e 2006 e Munique em duplas), ele pifou de vez.
Florian Mayer sofre de uma doença chamada de Síndrome de Burnout, que é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso(palavas da Wikipedia) e que quase termina de vez com sua carreira. Suas palavras sobre o que sentia na época são: “Tudo aquilo me estressava, não me divertia mais jogando tênis. Decidi parar.”.
E ele parou, durante praticamente todo o ano de 2008, Florian apagou o tênis de sua vida. Fez tudo o que queria fazer e não tinha chance. Até que em 2009, ele decidiu voltar ao profissional, recomeçando do zero e provar a si mesmo que era um novo homem.
Voltou em 2009, com o ranking 409 e logo no primeiro Challenger que disputou(Noumea), fez final. Depois furou o qualy do Australian Open e perdeu na primeira rodada para Juan Martin Del Potro(campeão do US Open nesse mesmo ano). Neste ano, ele se limitou apenas a torneios nível CH, salvos alguns torneios na Alemanha e os GS. Em 2010, protagonizou uma virada épica no Australian Open contra o amigo, compatriota e curiosamente da mesma cidade(Bayreuth) Philipp Petzschner e novamente encarou Juan Martin Del Potro, dessa vez perto de se lesionar.
E ele continuou sua caminhada relativamente discreta até chegar no torneio de Hamburgo, quando venceu Juan Carlos Ferrero nas quartas, quebrando um tabu de alemães não chegarem nas semis do torneio. Perdeu pra um Goubev inspirado. Depois disso fez finais em Estocolmo(com direito a tietagem da Princesa Victoria). Até aquele momento, Florian se aproveitou da sombra de Philipp Kohlschreiber e Tommy Haas, que eram muito mais carismáticos e com mais apelo comercial.

Victoria toda alegrinha( partir de 4:45)

 

Em 2011, depois de 10 anos de carreira, começa a virada na sua vida. Florian começa a ganhar uma regularidade absurda em torneios e rapidamente chega ao posto de número 1 alemão(a decadência de Kohlschreiber ajuda bastante nesse fator, mas não é determinante). E mesmo com campanhas pífias em Grand Slams, ele chega a uma final, em Munique.
Ele tinha tudo pra vencer. Era seed, jogava em casa, estava em boa fase o adversário(Davydenko) estava em decadência. Mas ele mais uma vez sentiu a pressão e perdeu sua quarta final. Ainda assim, não se deixou abalar dessa vez  fazendo quartas em Roma e ganhou a Copa do Mundo das nações, vencendo todos os seus jogos de simples e finalmente entrando no top 20. Aí ele se desencontrou novamente, perdendo pra um adversário vencível em Roland Garros e Wimbledon, perdendo uma chance de ouro em Halle, amarelando na Davis quando sacava pra dar um ponto pra Alemanha e se deixando intimidar por Nicolas Almagro em Hamburgo. Alternou com algumas boas campanhas de duplas nos Masters da US Open Series.
Quando tudo parecia andar para o pior, ele consegue fazer terceira rodada no US Open(feito inédito na carreira) e decide jogar um torneio totalmente fora de época, Bucareste, onde seria seed 2.
O início foi desanimador. Apesar de ter vencido seu primeiro jogo, tomou um pneu do fraco Carlos Berlocq, enquanto o seed 1 , Juan Ignacio Chela voava no torneio. Depois venceu dois jogos com autoridade, cedendo apenas três games para Albert Ramos e tendo um otimo aproveitamento de primeiro serviço contra Volandri. Enquanto isso, Pablo Andujar, que o havia eliminado desse mesmo torneio no ano anterior, mandava Chela pra casa. Florian estava em mais uma final, a chance de ouro de provar que conseguia vencer um torneio.
O início do jogo mostrou grande nervosismo dos dois lados, mas Andujar estava conseguindo se sobressair, atacando mais e acertando. Conseguiu uma quebra e quando sacava em 3-1(40-15), veio a virada. De alguma forma surpreendente, Florian conseguiu colocar a cabeça no lugar, quebrou de volta e passou a dominar o jogo. Depois disso, Andujar fez apenas mais um game, no fim do segundo set. Estava acabado, depois de 10 anos de carreira e há duas semanas de completar 28 anos, Florian Mayer conquista seu primeiro título de simples e enterra um fantasma que o perseguia desde 2004.
Não é apenas um titulo, é a coroação de um ano maravilhoso na carreira e a prova de que ele conseguiu vencer seus fantasmas internos e que não sucumbe a pressão. Eu costumo dizer que é o fim de um ciclo e o começo de um novo, onde ele está mais confiante. Espero que agora ele possa conquistar coisas à altura de seu talento.

Match Point

 

E sim, ele ainda se enrola no inglês

 

Por Germana, tenista de sofá, fã do outrora glorioso tênis alemão, em especial do senhor Mayer e que ganhou esse espaço depois de floodar a  timeline do dono do blog haha.

About Pete S. Liguori
Pete was born in São Paulo, Brasil. Loves sports - pigskin fanatic, tennis lover. One of his most famous quotes is "I'm no Tolstoi, but I love the Dallas Cowboys" His favorite quote of all time is "I'll keep playing", unknown author.

4 Responses to Porque enfim ele venceu a si mesmo.

  1. Comovente sua devoção pelo Mayer hahahaha

    Sério, muito legal ver a despontepretanização dos jogadores. Ainda mais os que têm uma história sofrida como essa.

    Boa, Florian!

  2. Ahhh que lindo Germana!!!

    Ele e vc merecem isso, já disse que acho lindo sua devoção por ele!! é um amor incondicional que emociona muito!!

    E agora vc vai ver como ele vai deslanchar… ele aprendeu a vencer e gostou disso!!

    P.S.: Não sabia que ele tinha essa síndrome… pobre Florian hauahuahuah

    E viva o MITO Kas (só pq deu votnade auahuahuh)

  3. This really is an incredibly exciting post to learn. Many thanks for writing this and please come up with more articles such as this.

  4. Aurélio says:

    Ai, que emocionante o post! Adorei!
    Mta legal a história de vida do Florian e mto legal ele ter uma fã como vc, Germana! HAHAHA \o/

    Adorei ter lido que ele fez duas finais de Sopot, Rafa ja ganhou esse titulo no inicio da carreira! (L)

    Tô na torcida pro Florian vencer Basel, vamos lá!! rs

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